Instituto montou força-tarefa na Grande Florianópolis, mas mesmo assim procedimentos são lentos.
Moradores de Santa Catarina reclamam que os pedidos de aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão demorando a serem analisados. O déficit no número de servidores corrobora com a situação, sem perspectiva de mudança, como mostrou o Jornal do Almoço desta quinta-feira (15).
A vendedora R. D. é uma das que vai precisar de paciência com o INSS. Ela deu entrada para se aposentar no mesmo dia em que completou 55 anos, em 26 de janeiro. Porém, o agendamento para ela levar a documentação será somente em maio.
A representante comercial C. C. B. já passou dessa fase. Ela deu entrada na aposentadoria em uma agência de Balneário Camboriú, no Litoral Norte, no início do ano passado. Mas levou um não da previdência e voltou em outubro.
"Eles me deram um papel dizendo que dia 17 de novembro de 2017 eles teriam uma resposta quanto ao meu benefício. Um mês e meio depois", contou ela. Porém, esse prazo não foi cumprido e somente no início de março deste ano ela conseguiu a aposentadoria.
Tempo de espera
Por email, o INSS informou que o tempo de espera vem inclusive diminuindo nos últimos dois anos. E que a previdência leva em média dois meses e meio do primeiro contato até bater o martelo sobre aposentadoria ou outros benefícios em Santa Catarina.
O cálculo do diretor do Sindicato dos Servidores da Previdência em Santa Catarina (Sindprevs), J. P. S., é diferente. Ele estima que quem encaminha aposentadoria hoje espera quatro vezes mais pra conquistar o benefício do que quem solicitou há dois anos. "A gente está com uma diminuição drástica da força de trabalho no último período", afirmou o diretor.
O INSS admite que precisaria contratar mais 4 mil servidores nas agências de todo país. Mas, em vez disso, está a ponto de perder 12 mil. É um terço dos funcionários. "Estão em abono de permanência. Eles têm idade e tempo para se aposentar, mas não fazem isso porque perdem quase metade do salário se se aposentarem hoje", explicou o diretor.
Mas a partir de janeiro, a Justiça já dá o direito deles incorporarem todas as gratificações possíveis. A agência de São Joaquim, na Serra Catarinense, pode desaparecer de uma hora pra outra. É que os seis servidores estão em abono permanência.
Força-tarefa na Grande Florianópolis
Na Grande Florianópolis, o INSS montou uma espécie de força-tarefa. Trouxe os funcionários mais experientes das agências para uma central. Aqui eles analisam exclusivamente as aposentadorias - que é a parte mais difícil e demorada. Com esta mudança, eles já estão analisando o dobro de processos. Mesmo assim, não se dá conta de vencer tanto trabalho.
Em janeiro e fevereiro deste ano, foram feitos 18.678 pedidos de aposentadoria. "Desde 2014, foi feito levantamento, foi pedido para o governo federal e foram poucas as contratações que a gente teve. Desse último concurso, por exemplo, que teve, tivemos cinco contratações: três para Curitibanos [no Oeste] e duas para Lages [na Serra]", afirmou o gerente do INSS da Grande Florianópolis, G. J. C..
O concurso vigente é de 2015. O INSS disse que já pediu um novo com quase 14 mil vagas para o Ministério do Planejamento. Por email, o ministério informou que os concursos estão restritos por causa do ajuste fiscal. E que só pode chamar mais funcionários por absoluta necessidade.
Uma outra medida implantada aos poucos nas agências brasileiras pode agilizar os processos: a digitalização do INSS. "Se nada for feito, vai ser o caos nas agências do INSS", afirmou o gerente. O diretor do Sindprevs também mostrou pessimismo: "A perspectiva é de piora".
Fonte: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/com-quadro-de-funcionarios-reduzido-aposentadorias-demoram-para-serem-analisadas-no-inss-em-sc.ghtml
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