Ação tem a participação de 58 auditores-fiscais do Ministério do Trabalho, integrantes do Grupo Especial de Fiscalização Móvel e das superintendências de três estados, e 220 policiais federais
Trabalhadores, vítimas de tráfico de pessoas para fins de exploração de mão de obra em condição análoga à de escravo, foram encontrados nesta terça-feira (6) em 15 municípios de Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Como a operação ainda está em andamento, o número de trabalhadores relacionados na ação não foi totalizado. Pelo menos 22 pessoas envolvidas no crime foram presas.
Batizada de Operação Canaã – A Colheita Final, a ação envolveu 58 auditores-fiscais do Ministério do Trabalho, integrantes do Grupo Especial de Fiscalização Móvel e das superintendências de três estados, mais 220 policiais federais. O grupo cumpriu 22 mandados de prisão preventiva, 17 de interdição de estabelecimento comercial e 42 de busca e apreensão.
O nome da operação é uma referência bíblica à terra prometida, já que os trabalhadores teriam sido aliciados por dirigentes de uma seita religiosa conhecida como Comunidade Evangélica Jesus, a verdade que marca. Eles teriam sido abordados na sede da igreja na capital paulistana, onde teriam sido convencidos a doar os bens para as associações controladas pela organização e convencidos a se mudar para uma comunidade, onde todos os bens móveis e imóveis seriam compartilhados.
Após serem induzidos, os fiéis doutrinados foram levados para zonas rurais e urbanas em Minas Gerais (Contagem, Caxambu, Betim, Andrelândia, Minduri, Madre de Deus, São Vicente de Minas, Pouso Alegre e Poços de Caldas), na Bahia (Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra) e na cidade de São Paulo. Eles trabalhavam em lavouras e em estabelecimentos comerciais como oficinas mecânicas, postos de gasolina, pastelarias, confecções e restaurantes, todos comandados pelos líderes da seita.
Investigação
O chefe do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, M. K. F., explica: “Desde 2013, tem sido feito um trabalho de inteligência para achar os locais onde os aliciados trabalhavam, as fraudes praticadas pela organização criminosa e, principalmente, a caracterização do crime de tráfico de pessoas”.
O chefe da equipe de fiscalização do Ministério espera que a operação contribua para o fim das operações da seita. As atividades comerciais de estabelecimentos pertencentes ao grupo já foram encerradas. E os auditores-fiscais do MTb seguem ouvindo todos os trabalhadores encontrados durante a operação para saber detalhes do que ocorria com cada um deles nas áreas onde foram encontradas as irregularidades.
Nos casos onde for confirmado o trabalho escravo, serão feitos os cálculos dos direitos trabalhistas, que deverão ser pagos pelas empresas criadas pela seita retroativamente desde a data em que os trabalhadores começaram a prestar os serviços. Os trabalhadores também serão encaminhados ao Programa de Seguro-Desemprego para Resgatados.
Histórico
A Operação Canaã teve origem em 2013, quando ocorreu o caracterização do trabalho em condições análogas à de escravo envolvendo 348 trabalhadores na União Agropecuária Novo Horizonte S.A. e em empresas urbanas. O relatório dessa ação fiscal foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF), que ajuizou uma ação penal contra os líderes da seita. Os auditores-fiscais e os agentes da PF retornaram aos locais investigados para averiguar a situação atual.
Na Polícia Federal, a investigação teve início quando a seita estava migrando de São Paulo para Minas Gerais. Em 2015, foi desencadeada sua segunda fase: “De volta para Canaã”, quando foram presos temporariamente cinco dos líderes da seita.
A deflagração desta terça-feira representa a terceira fase da operação, com a prisão preventiva de 22 líderes da seita que, segundo a Polícia Federal, poderão cumprir até 42 anos de prisão, se condenados. O líder da seita, conhecido como P. C., está foragido.
Fonte: http://trabalho.gov.br/noticias/5481-operacao-canaa-desmonta-sonho-da-terra-prometida-por-seita-para-trabalhadores-2
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